Contos

QUE PRIMA

- Mas primo...

- Não me chame mais de primo. Tenho nome

- Ta bom, Gustavo. Eu sempre te amei e a mais ninguém.

- Isto foi noutros tempos. Eu era um bobo e não conhecia outras mulheres.

- E nem precisava.

- Não seja boba, Clarice, pelo amor de Deus. Infância é infância, adolescência é adolescência, passou, passou. Somos adultos. E já era tempo, com dezoito anos de ter esses grandes olhos verdes mais abertos para o mundo.

- Pensei que gostasses de meus olhos...

- Sim, são lindos, mas isso não quer dizer que quero ficar com eles.

- Não precisa ser estúpido.

- Clarice, vamos terminar com essa conversa que não vai mudar nada. Cai na real. Nós...

- Mas com poderemos conviver se teremos que morar nesta mesma fazenda?

- Minha filha os incomodado que se mudem.

- AH! Se pudesse te garanto que iria para não te ver com aquela sirigaita. Mas tu sabe muito bem, que com mamãe doente não posso ir embora.

- E tu sabe também que o meu lugar é aqui. Quem tomaria conta da fazenda? Desde que tio Luiz faleceu quem governou e fez isso aqui prosperar? Eu podia ter ido embora, mas como abandonar vocês? Teus pais me acolheram quando houve aquele desastre e eu perdi os meus. Tio Luiz deixou testamento deixando a metade para nós dois. Devo tudo que tenho a teus pais. Fui criado com o mesmo amor e carinho que davam para ti. Sinceramente, para mim, sempre foste a minha irmãzinha. Acorda, Clarice. Sempre te respeitei e peço o mesmo para Magda que amanhã será minha esposa.

- Tu vai ver.

- Ta me ameaçando?

Na igreja, Clarice tinha um brilho estranho nos olhos, pareciam sorrir. À noite, sozinha em seu quarto ria e chorava. Catara pulgas dos cachorros e colocara num vidrinho que fora parar na cama dos casadinhos. Imaginava-os deitados se coçando.


28/11/2014

 

 

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